Foram 12 anos de espera até que o analista de desenvolvimento comercial, Rodrigo Fernando Ribeiro Faria Gomes Pinto, 42 anos, casado com Rafael Faria Gomes Pinto, 48, finalmente realizasse o sonho de ser pai. O casal deu entrada no processo de adoção em 2012, logo após o casamento. Deste momento até o primeiro dia dos filhos em casa, o desejo de formar uma família foi o que seguiu motivando o casal a superar as dificuldades para a adoção.
Em 24 de fevereiro de 2023, veio a notícia: os meninos estavam chegando. O problema era um só: depois de tanto tempo na fila, o casal teria pouco mais de duas semanas para buscar os gêmeos Yuri e Noah no abrigo. A partir daí, foi necessária uma força-tarefa para preparar a casa para receber os gêmeos.
“A gente não tinha absolutamente nada em casa. Precisamos montar todo o enxoval em poucos dias. Foram dias de muita correria. As caixas com fraldas, roupinhas e itens para os bebês não paravam de chegar de familiares e amigos de diferentes cantos do país. A gente não tinha nem cadeirinha para poder buscar os meninos”, comenta Rodrigo.
Neste momento, o analista de desenvolvimento comercial contou com o apoio da EDP, que ofereceu a licença paternidade estendida. Além disso, a empresa tratou de agilizar os processos com os benefícios, deixando o colaborador com a preocupação exclusiva de preparar a casa para receber os gêmeos.
“Toda a velocidade e o cuidado com esses trâmites foram fundamentais. O Yuri teve uma condição que o levou à UTI logo nos primeiros dias de vida, e contar com os benefícios do convênio e com o tempo para poder ficar ao lado do meu filho nesse momento difícil fez toda a diferença”, afirma.
Rotina
Morando em Santa Branca e sem uma rede de apoio próxima, os pais precisaram reorganizar completamente a rotina. As tarefas são divididas e o casal trabalha como um time para cumprir as novas atividades da casa. “É uma equipe. Eu, como trabalho fora de casa, levo e busco na escola. Já o Rafael, que está em home office, fica com as refeições e a parte da casa. Não dá para sair muito da linha, porque duas crianças de três anos e meio exigem rotina e cuidado, mas também rendem novas descobertas diariamente”, diz Rodrigo.
Para ele, os momentos mais emocionantes estão nos pequenos marcos do desenvolvimento dos filhos: quando engatinharam, deram os primeiros passos e começaram a falar. Mas existe uma cena que resume os 12 anos de espera: ser chamado de papai pela duplinha. “Depois de 12 anos esperando, a emoção é enorme. Quando eles me chamam de ‘Papai Oígo’, eu lembro de toda essa caminhada que a gente passou. É um sentimento de gratidão em ver como eles estão. A vida surpreende a gente de formas positivas e bonitas”, afirma.
Nos dias livres, a família arruma as malas e pega a estrada rumo à praia. O destino preferido é São Sebastião, cidade onde já contam com amigos e os pequenos se sentem à vontade para brincar livremente. Até no inverno os pais dão um jeito de aproveitar a cidade em família. “É impressionante como a gente até enxerga o tempo de maneira diferente. A paternidade muda a forma como olhamos para a mesma coisa. Até mesmo no trabalho eu tenho notado que estou mais paciente, organizado e passei a ver as pessoas com mais empatia”, diz.